Notícia

Espaço t

Abraço de 30 Cêntimos

DOAÇÃO

Passei mais de 30 anos rodeado de pessoas consideradas diferentes.

No fim, descobri que os "ditos normais" não existem.  

Quando fundei o Espaço T, disseram-me para ter cuidado.

Disseram-me que os seropositivos podiam contagiar os outros.

Que os toxicodependentes eram perigosos.

Que as pessoas com doença mental eram imprevisíveis.

Que as pessoas com deficiência precisavam de proteção.

Que não devia misturar pessoas tão diferentes.

Durante algum tempo ouvi tudo isso.

Até que decidi fazer uma coisa muito simples.

Conhecer as pessoas antes de acreditar nos preconceitos.

E fizemos exatamente o contrário do que nos aconselhavam.

Abrimos as portas.

Sentámo-nos todos à mesma mesa.

Abraçámo-nos.

Criámos.

Cantámos.

Pintámos.

Fizemos teatro.

Rimos.

Chorámos.

Construímos amizades.

E aconteceu uma coisa extraordinária.

Ninguém ficou seropositivo.

Ficámos mais humanos.

Ao longo de mais de três décadas conheci milhares de pessoas.

E descobri que nunca encontrei uma única pessoa verdadeiramente normal.

Conheci pessoas que escondiam a tristeza atrás de um sorriso.

Pessoas que pareciam ter tudo, mas viviam profundamente sós.

Pessoas com deficiência que me ensinaram a viver.

Pessoas sem qualquer deficiência que tinham perdido a esperança.

Foi então que percebi que a normalidade era apenas uma invenção.

Uma invenção que nos fez acreditar que existem pessoas "como nós" e pessoas

diferentes de nós".

Mas a vida ensinou-me outra coisa.

Todos temos medos.

Todos temos fragilidades.

Todos precisamos de ser aceites.

Todos precisamos de um abraço.

Essa é, talvez, a maior lição que o Espaço T me deu.

Nunca trabalhámos para pessoas diferentes.

Trabalhámos sempre com pessoas.

Hoje estamos a restaurar um novo Espaço T, no Bairro de Aldoar.

Não queremos criar apenas um edifício.

Queremos construir um lugar onde ninguém seja recebido por um diagnóstico, por uma

deficiência ou por um rótulo.

Queremos que cada pessoa seja recebida, simplesmente, pelo seu nome.

E hoje gostava de lhe pedir um pequeno gesto.

Não lhe peço muito.

Peço-lhe apenas 30 cêntimos. Uma única vez.

Chamamos-lhe o Abraço de 30 Cêntimos.

Porque há abraços que também se dão assim.

Se acredita, como nós, que o amor aproxima mais pessoas do que o preconceito alguma

vez conseguiu afastar, junte o seu nome aos Amigos do Espaço T.

Registe abaixo o seu Abraço aqui

O seu nome ficará gravado para sempre no novo Espaço T, num placard de acrílico, no

Bairro de Aldoar.

Receberá também o recibo de donativo para efeitos de IRS.

E, se hoje me puder dar mais um abraço...

Partilhe esta história.

Porque talvez um dos seus amigos precise de voltar a acreditar nas pessoas.

Depois de mais de 30 anos... continuo sem encontrar uma pessoa normal.

Mas encontrei milhares de pessoas extraordinárias.

Talvez isso seja muito mais importante.

Jorge Oliveira

Presidente do Espaço t

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