Orquestra de Câmara Portuguesa - Associação Musical
Uma noite verdadeiramente inesquecível
Festival Young Euro Classic
A Jovem Orquestra Portuguesa (JOP) apresentou-se com
extraordinário sucesso no festival Young Euro Classic, no dia 7 de agosto, às
19h, na Konzerthaus Berlin, sob a direção do maestro Pedro Carneiro, e com
Vasco Ferrão e Jorge Leiria como maestros assistentes. A JOP levou ao público
alemão um programa de música sinfónica com obras de Hector Berlioz, César Rafael e Piotr Ilitch Tchaikovsky.
A fabulosa performance, incluindo a peça coral, obteve um
aplauso estrondoso e uma entusiástica ovação por parte do público.
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E ela range e geme e grita e guincha
Saudade, para onde quer que se olhasse: a Jovem Orquestra
Portuguesa com a mezzo-soprano Cláudia Ribas recebidos no Young Euro Classic
'Saudade' descreve e define no país do fado um estado de
alma ambivalente, cheio de nostalgia e melancolia, típico de países marítimos
como Portugal.
A Jovem Orquestra Portuguesa, com 65 elementos, dirigida por
Pedro Carneiro e com a mezzo-soprano Cláudia Ribas, foram os convidados para
preencher o programa de 6.ª feira, 7 de Agosto do Festival Young Euro Classic,
no Konzerthaus. E trouxeram consigo um programa repleto de melancolia e de dor
da despedida.
A iniciar o programa, Pedro Carneiro juntou num único bloco
três obras de Hector Berlioz que têm o mar por denominador comum: a Abertura de
concerto 'Le Corsaire' - o retrato de um intrépido aventureiro, que foi dado de
forma arrebatada pela JOP; depois, a amarga ária de despedida de Dido Ah, je
vais mourir... Adieu, fière cité, da ópera Les Troyens, cantada com ardor
suplicante por uma Cláudia Ribas parcialmente ajoelhada; e, finalmente, Sur les
lagunes, extraída de Les nuits d'été, uma elaborada canção tripartida que nos
fala de uma solitária e nocturna experiência de profundas dor e tristeza por um
pescador veneziano, evocando a sua falecida amada. Aqui, Cláudia Ribas, agindo
e reagindo à orquestra, soube evidenciar de forma impressiva os variados estados
de alma por que passa o eu poético.
Para a obra seguinte (uma estreia absoluta), o respectivo
autor, César Rafael, compositor em residência da JOP ao longo deste ano,
deixou-se inspirar pelo mais representativo poeta português: Fernando Pessoa. O
compositor, de 25 anos, dá expressão sob muitas e variadas facetas ao
sentimento vital da nação portuguesa - a saudade - na sua criação Saudades, só
portugueses, uma obra de linguagem contemporânea com cerca de 15 minutos de
duração. Nesse passo, a orquestra suspira, lamuria-se, range, geme, grita e guincha,
expondo toda a sua opulência tímbrica, com amplo uso da percussão e naipes de
sopro reforçados.
Após o intervalo, então, a trave-mestra deste concerto que
teve perto de duas horas de duração: falamos da Sinfonia n.º 6, de Tchaikovsky,
a Pathétique, com forte marca da alma russa e rica em explosões emocionais.
Apesar da melancolia agridoce da obra, a Orquestra tocou esta obra monumental
sob o signo da leveza. Pedro Carneiro conseguiu sem esforço aparente manter
intacta a tensão desde o 1.º andamento até ao fulminante final do 3.º
andamento, concebido como conclusão antecipada da obra. De tal modo que o lento
andamento final - Adagio lamentoso - tomou a aparência de um epílogo
meditativo, pleno de pathos.
Carneiro aproveitou ainda este concerto para duas coisas que
falam de modo especial ao seu coração. Em 1.º lugar, a promoção da paz, da
democracia e dos valores europeus - o que fez através de uma alocução prévia ao
público e de duas canções anti-militaristas de Fernando Lopes-Graça, dadas
extra-programa. Depois, a promoção de novos e promissores valores artísticos
num ambiente e oportunidade únicos. Se o seu próprio estilo de direcção, pelo
espaço e liberdade que dá à orquestra de moldar o discurso sonoro -
pontuando-o, seja com gestos de enfática acentuação, seja com géstica mais
fluida -, evidencia a enorme confiança que deposita nos músicos da JOP, igual
efeito teve o facto de dar palco a dois maestros da nova geração: Vasco Ferrão
(para as obras orquestrais) e Jorge Leiria (nas peças corais): a seu cargo, o
hino do Festival e os três números extra-programa, todos eles de autor
português.
Esta performance artística fora do comum, prestações corais
incluídas, foram enaltecidas com inteiro mérito pela totalidade do público, que
reagiu com estrondosos aplausos e ovações de pé. Assim, com uma noite
verdadeiramente inesquecível, terminou a primeira metade do Festival, que se
prolonga até dia 16 de Agosto, sempre no Konzerthaus.
Marleen Hoffmann, in Berliner Morgenpost, 9 de Agosto de
2026
tradução do alemão: Bernardo Mariano
A Jovem Orquestra Portuguesa (JOP) é a orquestra nacional de
jovens, embaixadora do talento de Portugal na Europa e no Mundo. Representa
Portugal na EFNYO - European Federation of National Youth Orchestras e é
parceira criativa da Fundação Dudamel. Nasceu em 2010, sob direção artística do
Maestro Pedro Carneiro.
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