A CONEXÃO DOS ELOS DA ECONOMIA SOCIAL, PILAR DA SOCIEDADE

Autor: Tiago Abalroado

A CONEXÃO DOS ELOS DA ECONOMIA SOCIAL, PILAR DA SOCIEDADE

Qualquer pessoa, no decurso da sua vida, facilmente se apercebe que não vive no mundo perfeito ou ideal; somos constantemente bombardeados, através das diferentes plataformas de comunicação, por notícias que dão conta de cenários de crise, fome, pobreza, guerra, catástrofe ou outros males, fazendo-nos, talvez, tomar consciência da nossa pequenez e incapacidade para mudar o “funcionamento” das coisas. Esta tomada de consciência não implica, porém, que deixemos de ser dominados pelo desejo de melhorar o mundo à nossa volta ou que não nos empenhemos na concretização de ações que, de alguma forma, possam originar impactos positivos para os nossos grupos ou comunidades.

A defesa do bem-estar e da justiça constitui um ideal transversal à generalidade dos indivíduos, mas a sua promoção efetiva não depende somente de cada sujeito, depende, em larga medida, da ação do Estado, das consequências da atividade económica e da capacidade de mobilização da sociedade em torno da causa pública. Cada pessoa é detentora de uma missão social cuja materialização se centra no processo de escolha dos governantes, no desempenho de uma atividade profissional e no exercício de uma conduta focada na promoção do bem comum.

Conduta focada na promoção do bem comum

Promover o bem comum não é, porém, uma tarefa fácil, pois não depende unicamente do esforço pessoal, exige um empenho coletivo que acarreta a utilização de recursos muitas vezes escassos e o emprego de competências e capacidades que transcendem a esfera individual. A prevenção e solução dos problemas e situações que afetam a vida das comunidades tal como as medidas potenciadoras da reta e justa ordenação da sociedade só poderão ser implementadas por intermédio de estruturas organizadas, coesas, eficientes e eficazes e que, além de dar o peixe e ensinar a pescar, garantam o direito de pescar.

A Economia Social surge como a resposta agregada dos agentes da sociedade civil aos problemas e necessidades de assistência e proteção decorrentes da inexistência de um perfeito sistema de justiça social. Não podemos, contudo, olhar para este setor como sendo unicamente constituído por instituições de solidariedade; a exigência inerente à sua missão, a complexidade das carências diagnosticadas e o dinamismo próprio da sua envolvente forçam a que a sua organização capte atores de diferentes naturezas para servir um propósito único – o bem comum. Falamos, portanto, de uma lógica que transcende a Rede Social, uma lógica de valor social gerado através da ação de múltiplos stakeholders (Estado, Instituições Sociais, Fornecedores, Utentes, Colaboradores, Financiadores e Sociedade) que se movem em torno de objetivos comuns.

uma lógica de valor social gerado através da ação de múltiplos stakeholders

Sendo a Pessoa o beneficiário último da ação social, é forçoso que as teias de relacionamentos criadas entre os diferentes agentes e a sua orientação estratégica se articulem mediante um sistema de eficiente colaboração e coordenação; tal relação facilitará, por um lado, o acesso das entidades envolvidas aos recursos e, por outro, possibilitará a repartição de custos, tempo e riscos. As redes surgem, assim, como um elemento facilitador da transferência de informação e gerador de inovação, mediando as transações entre as organizações e as relações entre as pessoas e oferecendo um acesso diferenciado a determinados recursos.

A focalização no utente representa um elemento preponderante no sucesso da estratégia das instituições sociais, devendo, por isso, fomentar-se o desenvolvimento de eficientes mecanismos de colaboração institucional que permitam um conhecimento profundo da nossa realidade social, das necessidades exatas de cada comunidade para que, a partir daí, os recursos e capacidades das organizações possam ser orientados tendo em vista a maximização do valor proporcionado. O levantamento de necessidades permanente, a aposta numa colaboração institucional consistente e constante, a gestão da qualidade, a minimização dos custos de produção e a flexibilidade operacional devem ser sempre tidos em linha de conta na definição dos mecanismos de gestão utilizados e das ações desenvolvidas. Só a heterogeneidade singular aliada à concertação estratégica gerará a criatividade, a inovação e o desenvolvimento.

Tiago Abalroado


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